A Little Bit of Jazz and Ellipses

Recentemente tomei uma decisão importantíssima quanto ao destino do que é – possivelmente – o mais importante de meus personagens. Alguns certamente sabem de quem estou falando, aos que não sabem… apresento-lhes, meus caros, Mr. Gregory Russell. Inglês, professor de História na tradicional escola inglesa para garotos, Eton College. Originalmente, ele foi criado para uma história que se passa na década de 1950, mas é aí que está a mudança no destino dele.

Desde que o criei, há quase três anos, Russell acompanha-me em quase todos os meus momentos mais “filosóficos” – que não são poucos, tenho de admitir – e desempenha um papel fundamental na evolução de minha personalidade.

No entanto, depois de alguns poucos capítulos não fui capaz de dar continuidade a sua história, mesmo tendo sua nítida figura em meus pensamentos constantemente a me pedir por um meio, um fim ou, pelo menos, mais alguns trechos desconexos. E depois de dois anos e alguns meses pensando nessa situação, outras histórias começadas e uma conversa com a Jade eis que me surge uma resposta! Eu não consigo escrever mais do Russell nos anos 1950 porque para que eu possa continuar aprendendo com sua existência ele deve pertencer a outras décadas, outros séculos e o mais importante, deve pertencer a outras histórias.

Assim sendo, para o bem de minha escrita e do progresso de minha personalidade, Mr. Gregory Russell tem agora livre acesso a todos os momentos de minhas histórias e comprometo-me a garantir sua presença nelas no sentido mais fisicamente possível que as circunstâncias me permitem. Com isso quero dizer não só que permitirei sua influência no desenvolvimento de minha escrita, mas que o incluirei nas cenas descritas quando isso se mostrar pertinente.

Considerem-no, portanto, um personagem errante. Do tempo e das histórias, um viajante.

Para encerrar, gostaria de mostrar um pouco mais dele compartilhando – pela primeira vez – alguns fragmentos do primeiro de meus textos em que ele apareceu. E agora, com as férias que se aproximam, talvez ele venha acompanhar Hazel em suas experiências, vez ou outra.

Sob uma mesa a direita do palco de apresentações, dois pequenos pezinhos calçados com sapatos de veludo cor de vinho agitavam-se animadamente embalados pela música que ecoava no grande salão, onde dançavam alguns casais. A alguns metros dali, Gregory Russell corria os olhos pelas mesas e analisava muito atenciosamente as pessoas que as rodeavam…

…A dona dos dançantes pés tinha lábios meio avermelhados, parte dos cabelos escuros estavam presos para trás e alguns fios soltos emolduravam-lhe o rosto de pele muito clara…

… – Vi a senhorita recusar dois convites para dançar. Terei eu a mesma má sorte que os dois cavalheiros que a pouco se retiraram?…

… – Arabelle Spencer – respondeu timidamente.

… Mr. Russell não perguntou mais nada a ela e também não esperou que ela falasse…

… Dançaram silenciosamente mais duas músicas além daquela. Aos cinco ou seis segundos da terceira foram interrompidos por um rapaz loiro e corpulento. Outro garçom. (…)

Duas últimas considerações: apesar de fazerem parte do mesmo texto, os fragmentos estão desconectados. Acho que dá pra notar pelas reticências mas achei melhor dizer.
Jazz, no título, faz referência à algumas músicas que eu usei de inspiração na época em que escrevi esse texto. Também é o tipo de música que Russell e Arabelle dançavam naquela noite. Pensei em postar uma ou algumas delas aqui, mas não consegui escolher!

Nara Castro
18:50

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Cold morning in the forest.

Não saberia dizer se esse é o melhor título, mas nada me pareceu mais adequado.
Eis, meus caros, a continuação do trecho do último post. Ainda não há muitas revelações sobre os conteúdos principais da história, mas já serve para começar a traçar um pedacinho da personalidade da Hazel (Yaay, já tem até um nome!).

Grande parte do vilarejo era rodeada por um bosque e Hazel foi instantaneamente atraída para lá assim que saiu para o quintal – que era, na verdade, quase uma continuação do bosque invadindo a propriedade do avô, com algumas árvores e plantas subindo pelas paredes e cercas de pedra.

Para ela, era impossível pensar nas várias dimensões existentes de forma separada. Isso contrariava sua própria índole e os princípios céticos que adotara inconscientemente e que fortificava a cada instante desde muito pequena. Era-lhe, portanto, inquietante que sua consciência insistisse em acreditar em algo que seus olhos externos eram incapazes de ver. Os olhos não podiam ver todas as infinitas dimensões e ainda assim, o cérebro insistia em fazê-la pensar nelas todas juntas e complementares mesmo sem interação física e direta entre elementos de uma com os de outra.

E naquela fria manhã de novembro um experimento de pensamento envolvendo algumas dimensões mais próximas a impediu de dar continuidade ao sono, já naturalmente inconstante. Mas o experimento tomou rumos desordenados – alguns até cruzados – e nessas situações, a confusão, as vozes e os barulhos eram tão perturbadores que Hazel assustava-se com a possibilidade de que pudessem ser percebidos por outras pessoas, principalmente aquelas que, como o avô, já a conheciam há certo tempo.

O melhor a fazer, concluiu, era caminhar entre as árvores e os primeiros raios solares, encher-se de silêncio e tentar buscar um caminho de volta ao começo. Isso feito, ela poderia escolher entre tentar novamente ou adiá-lo para um momento de maior tranqüilidade.

Acho que dá para notar que ainda não é uma finalização do fragmento.
Mas quem disse que seria? Estou realmente tentando seguir meus instintos de writer-to-be. Não me precipitarei.
Pela inspiração para o final do trecho, agradeço meu professor de Filosofia, Leonardo Val de Casas, que num dia desses me deu uma simples (e preciosa!) ajuda, dizendo para eu “voltar a minha referência sempre que precisar”. Um sábio conselho que muitos podem julgar óbvio, mas que se fosse seguido por aí, muita gente compreenderia mais a si mesmo e ao que está a sua volta.

Nara Castro
19:55

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