Cold morning in the forest.

Não saberia dizer se esse é o melhor título, mas nada me pareceu mais adequado.
Eis, meus caros, a continuação do trecho do último post. Ainda não há muitas revelações sobre os conteúdos principais da história, mas já serve para começar a traçar um pedacinho da personalidade da Hazel (Yaay, já tem até um nome!).

Grande parte do vilarejo era rodeada por um bosque e Hazel foi instantaneamente atraída para lá assim que saiu para o quintal – que era, na verdade, quase uma continuação do bosque invadindo a propriedade do avô, com algumas árvores e plantas subindo pelas paredes e cercas de pedra.

Para ela, era impossível pensar nas várias dimensões existentes de forma separada. Isso contrariava sua própria índole e os princípios céticos que adotara inconscientemente e que fortificava a cada instante desde muito pequena. Era-lhe, portanto, inquietante que sua consciência insistisse em acreditar em algo que seus olhos externos eram incapazes de ver. Os olhos não podiam ver todas as infinitas dimensões e ainda assim, o cérebro insistia em fazê-la pensar nelas todas juntas e complementares mesmo sem interação física e direta entre elementos de uma com os de outra.

E naquela fria manhã de novembro um experimento de pensamento envolvendo algumas dimensões mais próximas a impediu de dar continuidade ao sono, já naturalmente inconstante. Mas o experimento tomou rumos desordenados – alguns até cruzados – e nessas situações, a confusão, as vozes e os barulhos eram tão perturbadores que Hazel assustava-se com a possibilidade de que pudessem ser percebidos por outras pessoas, principalmente aquelas que, como o avô, já a conheciam há certo tempo.

O melhor a fazer, concluiu, era caminhar entre as árvores e os primeiros raios solares, encher-se de silêncio e tentar buscar um caminho de volta ao começo. Isso feito, ela poderia escolher entre tentar novamente ou adiá-lo para um momento de maior tranqüilidade.

Acho que dá para notar que ainda não é uma finalização do fragmento.
Mas quem disse que seria? Estou realmente tentando seguir meus instintos de writer-to-be. Não me precipitarei.
Pela inspiração para o final do trecho, agradeço meu professor de Filosofia, Leonardo Val de Casas, que num dia desses me deu uma simples (e preciosa!) ajuda, dizendo para eu “voltar a minha referência sempre que precisar”. Um sábio conselho que muitos podem julgar óbvio, mas que se fosse seguido por aí, muita gente compreenderia mais a si mesmo e ao que está a sua volta.

Nara Castro
19:55

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4 Comments

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4 Responses to Cold morning in the forest.

  1. Leonardo Val de Casas

    Narinha!

    Que surpresa foi essa que me arrepiou quando acabei de ler um texto com uma escrita madura como essa e vi meu nome citado e muito bem elogiado?

    Que bom que eu pude influenciar positivamente você assim!!!

    E como ver você escrevendo bem assim me influenciou também!

    Parabéns! Continue! Vá, vá longe Nara! Lá é seu lugar!

    Beijo.

  2. olha… a cada coisa que eu leio eu me apaixono mais pela Hazel.
    “encher-se de silêncio e tentar buscar um caminho de volta ao começo.” eu faço isso toda a hora… preciso disso pra seguir em frente.
    Parabéns Nara.
    Uma hora dessas a gente apresenta a Cibele pra Hazel…. uma cheia de lua e a outra cheia de silencio.

    • Nara Castro

      Boooa! Um dia desses escrevo sobre um encontro entre a Cibele e a Hazel na grande sala de estar dos meus personagens favoritos. ‘Tô devendo um desses com o Mr. Dixon da Jade também…

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